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Tem uma solução para apoiar governos no desafio pós-covid? Podemos ajudar

Letícia Piccolotto

11/07/2020 04h00

Força empreendedora será fundamental para apoiar o Brasil na recuperação da crise (Pixabay)

A crise trazida pela pandemia de coronavírus tem transformado de maneira profunda a nossa sociedade em todas as suas dimensões: trabalho, familiar, econômica e política. Não há espaço onde não se sintam essas mudanças e onde não estejamos repensando a nossa vida – desde o aspecto mais complexo até o mais simples.  

Embora tenha trazido impactos negativos para um número considerável de pessoas, empresas e países, também é verdade que a covid-19 foi um fator que acelerou diversas transformações. Uma delas, sem dúvida, tem sido a digitalização dos governos em diversos lugares do mundo – inclusive, no Brasil. 

Nas últimas semanas tenho discutido sobre o tema e busquei compartilhar como esse processo tem acontecido e, especialmente, quais são os seus resultados. Falei como temos nos tornado referência em legislativo digital, como a transparência é um requisito fundamental para os momentos de crise, compartilhei os desafios de garantir a continuidade da educação em ambiente digital e também trouxe para reflexão o papel das lideranças em tempos de crise. 

Desde o início da crise também tenho compartilhado notícias sobre um movimento positivo: a atuação de startups GovTechs no enfrentamento do coronavírus – falei sobre o tema aqui, aqui e aqui. As GovTechs adaptaram suas soluções ao contexto de crise, se dedicaram à formação de servidores públicos, isso sem contar as ferramentas e conteúdos que passaram a oferecer gratuitamente para diversas cidades do país. 

Como fundadora do BrazilLAB, primeiro hub do Brasil que ajuda a conectar startups e setor público, tenho a oportunidade de assistir esse processo de um lugar privilegiado: há anos acompanho o dia a dia das GovTechs e, no momento atual, posso dizer que elas incorporam os princípios mais fundamentais para enfrentar a crise: resiliência, foco em resultados e rapidez nas respostas. 

E entendendo como a força empreendedora pode ser um elemento fundamental para apoiar governos de todo país a enfrentar os desafios trazidos pela pandemia de covid-19, o BrazilLAB, junto com uma rede de parceiros, dentre eles Fundação Brava, Fundação Arymax, Instituto Humanize e Amazon Web Services, está lançando um movimento inédito e unindo forças em busca de startups e suas soluções para enfrentarmos a crise socioeconômica gerada pela pandemia: a Força-Tarefa Covid-19

A Força-Tarefa Covid-19

A iniciativa foi lançada ontem, dia 10 de julho, na Campus Party, um dos maiores eventos de inovação, criatividade e cultura maker do planeta, e que teve pela primeira vez em sua história uma edição 100% online e simultânea em 30 países diferentes. Fui convidada como uma representante do time de colunistas do Tilt para falar no evento e pude compartilhar detalhes sobre o projeto e como esperamos contribuir para a transformação digital dos governos no país.

A Força-Tarefa Covid-19 busca selecionar, acelerar e conectar GovTechs que tenham soluções implementáveis para as esferas municipal, estadual e federal, considerando três desafios principais: educação, digitalização no poder público e inclusão produtiva. Em um esforço para incentivar o ecossistema empreendedor, pela primeira vez, também buscamos pequenas e médias empresas e suas soluções tecnológicas para os governos. Afinal, o Brasil é uma nação empreendedora: mais de 39% da população economicamente ativa (18 a 64 anos) empreende.

Os desafios foram selecionados porque melhor representam o cenário que o setor público deve enfrentar no contexto pós-pandemia. E alguns dados reforçam essa tendência: segundo estimativas da Unicef, mais de 95% das crianças estão fora da escola na América Latina e no Caribe devido à pandemia de coronavírus, número equivale a 1,5 bilhão de estudantes globalmente.

A pandemia da covid-19 destruiu 7,8 milhões de postos de trabalho no Brasil até o mês de maio e a taxa de desemprego entre jovens foi de 27,1% no primeiro trimestre de 2020.

Além disso, a crise deixou evidente a necessidade de um governo inovador e tecnológico: demandas como identidade digital, atendimento online e transparência nunca foram percebidas como tão urgentes. Os desafios que vivemos agora devem se agravar nos meses seguintes, de modo que será fundamental investir em ações inovadoras, eficazes e rápidas para combater os impactos socioeconômicos da crise. 

Estamos em busca de startups, pequenas e médias empresas que tenham soluções criadas ou que possam ser adaptadas para os três desafios. Para a educação, por exemplo, será preciso investir no ensino à distância, na capacitação profissional, no desenvolvimento de habilidades e competências do século 21 e também na democratização do acesso.

No campo da inclusão produtiva, as tecnologias devem estar voltadas ao desenvolvimento de microempreendedores, à criação de oportunidades para o trabalho de jovens, ao desenvolvimento do empreendedor rural e ao engajamento de empresas em conexão com profissionais.

E pensando na atuação de um governo digital, buscamos soluções que possibilitem, por exemplo, o trabalho remoto, o desenvolvimento de serviços digitais para os cidadãos, a redução da burocracia e a ampliação de ações de transparência dos governos. 

A lista do que buscamos poderia se estender, mas a mensagem se resume ao seguinte objetivo: queremos fortalecer soluções inovadoras e digitais que possam apoiar os governos, e como todo processo disruptivo, não há limite para as boas ideias e para o "como fazer". Sabemos muito bem quais são as dores – e a força empreendedora pode ajudar a encontrar os remédios. 

As empresas selecionadas devem passar por um programa intenso de aceleração que inclui formações sobre impacto social, legislação de compras públicas e experiência do usuário. Também faz parte do programa um conjunto de ações de capacitação Business to Government (B2G), ou seja, o mercado de atuação junto ao governo. Elas incluem o apoio de uma rede de mais de 60 mentores – especialistas, gestores públicos, CTOs, juristas – que poderão apoiar o aperfeiçoamento das soluções propostas. Além disso, o BrazilLAB proporcionará o acesso à sua rede de mais de 30 prefeituras parceiras e roadshows com gestores públicos. Os resultados serão avaliados ao longo do programa para que seja possível mensurar a mudança trazida pelas soluções GovTech. 

E considerando o momento sem precedentes, assim como a importância de valorizar tanto a memória quanto os aprendizados desta crise que é mundial, a Força-Tarefa Covid-19 também lançará um edital artístico para premiar vídeos, fotografias, textos e outras formas de expressão produzidas no momento atual. 

As inscrições vão até o dia 27 de julho de 2020 e podem ser feitas no Força-Tarefa Covid-19. Nesta primeira convocação serão escolhidas 15 empresas e suas soluções. 

A iniciativa é inédita. Embora tenha implementado programas de Aceleração todos os anos, a Força-Tarefa Covid-19 é muito mais: o BrazilLAB está criando agora um movimento em prol da transformação digital no Brasil. Buscamos soluções de impacto, que sejam escaláveis e possam ser implementadas pelos governos. Estamos seguros de que elas podem ser aliadas fundamentais para combater os efeitos socioeconômicos trazidos pela crise e apoiar a sociedade em um dos momentos mais difíceis que já vivemos. E o prognóstico é positivo. 

Brasil é referência GovTech

O Brasil é um país empreendedor por natureza. Também temos alcançado posição de destaque quando o assunto é o ecossistema de inovação: ocupamos o 4º lugar entre 16 países no GovTech Index elaborado pelo Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), além disso, há mais de 13 mil startups no país, sendo que, aproximadamente 1.500 têm a possibilidade de modular suas soluções para se tornarem uma GovTech. Há muito potencial para o ecossistema empreendedor e para que as startups possam transformar o setor público.

Ao longo de quatro anos de história do BrazilLAB, tivemos mais de 950 startups inscritas em nosso Programa de Aceleração Anual, sendo que 81 foram selecionadas e 34% do portfólio está vendendo para o setor público. Pude ver a transformação trazida pela força empreendedora das GovTechs, seja no passado ou no momento crítico atual. E não tenho dúvidas que elas podem contribuir muito para enfrentarmos os desafios mais complexos, graves e históricos do país – especialmente agora. 

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.