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Como a tecnologia pode ajudar o meio ambiente e evitar desastres

Letícia Piccolotto

24/08/2019 04h00

Não faltam empresas que entraram em cena para fazer sua parte na luta global contra a mudança climática, as crises ambientais urbanas e os problemas que envolvem a manutenção dos ecossistemas

Na segunda-feira, dia 19 de agosto, as redes sociais de pessoas residentes em São Paulo, parte do Mato Grosso do Sul e norte do Paraná só tinham um assunto: o dia virou noite bem no meio da tarde – e não se tratava de um efeito comum de tempestade; toda essa região do Brasil foi afetada pela fumaça que desceu das queimadas no Norte do país. Mas podemos dizer que a nuvem baixa, carregada (e triste) poderia ter sido evitada se a tecnologia fosse melhor utilizada na preservação e no controle ambiental.

Vamos lembrar, primeiramente, que startups são fundadas, na maioria das vezes, por empreendedores apaixonados pela solução de problemas em seu cotidiano e no mundo ao seu redor – e não faltam empresas que entraram em cena para fazer sua parte na luta global contra a mudança climática, as crises ambientais urbanas e os problemas que envolvem a manutenção dos ecossistemas.

Podemos começar com um exemplo "de dentro de casa": em seu último Programa de Aceleração, o BrazilLAB (ONG que presta apoio a startups que criam soluções que possam ser aplicadas no setor público) selecionou a Sintecsys como participante. A empresa criou um sistema de detecção de incêndios em lavouras e florestas que faz justamente esse serviço essencial de informar sobre fogo na mata antes que o problema se alastre.

O monitoramento criado pela startup foi projetado para áreas remotas, dispensa energia elétrica (atuando com sistema fotovoltaico) e também internet – mas sua operação de tráfego de dados possibilita checagem online para toda a área protegida em 360 graus, 24 horas por dia e sete dias por semana.

De um lado, a solução oferecida pela tecnologia; de outro, os dados que ardem nas manchetes. As queimadas no Brasil aumentaram 82% este ano em relação ao mesmo período de 2018, segundo dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) gerados com base em imagens de satélite. De janeiro a agosto foram registrados 71.497 focos – contra 39.194 no ano passado. É a maior alta e também o maior número de registros nos últimos sete anos.

A maior parte do CO2 produzido pelo Brasil não vem da atividade industrial ou da poluição das cidades, mas sim da mudança de uso da terra e das florestas.

Outras iniciativas para ajudar o meio ambiente

As soluções tec para conter as queimadas são muito importantes. Mas, quando se fala em zelar pelo meio ambiente, outra grande tendência é observar o setor de transportes – incluindo investimentos em veículos elétricos, compartilhamento de carros e a adoção em massa de bicicletas e scooters ecologicamente corretas, por exemplo.

Outro setor no qual as startups estão fazendo a diferença é na agricultura urbana (escrevi sobre isso na semana passada); alavancar essa tecnologia que traz o campo para a cidade, que aproxima a alimentação saudável dos cidadãos e ainda reduz terrenos e necessidade de caminhões gigantescos e otimiza o uso da água é uma das grandes atitudes que empresas e consumidores podem tomar.

Problemas e soluções tec

São tantos os temas que podem unir tecnologia e meio ambiente – e muitas as ideias já funcionando. Os resíduos nos aterros e nos oceanos, por exemplo, são geridos principalmente pela redução da produção inicial e, depois, pelos processos de reutilização e reciclagem. Criar menos lixo é, assim, uma demanda mundial.

Uma das startups que voltaram seu olhar para esse sentido foi a indiana Bakey's, que começou seu trabalho arrecadando investimentos de cerca de US$ 600 mil para criar talheres veganos, comestíveis e totalmente biodegradáveis ​​– já que são feitos de arroz. Desde setembro de 2016, a empresa produziu e comercializou cerca de 2,25 milhões de colheres e garfos, evitando mais plástico descartado.

A tecnologia pode ser uma aliada muito importante para a preservação ambiental, porque permite um monitoramento rápido e cada vez mais sustentável do ponto de vista financeiro – ajudando a planejar o manejo dos recursos e também garantir o controle e autuação de irregularidades. O Brasil tem sido uma importante referência nesse tema, com o desenvolvimento de tecnologias para esse fim. 

Vale lembrar ainda que, além de servir para a gestão pública, a tecnologia também é decisiva para colocar mais transparência na conservação do meio ambiente – levando ao cidadão informações e incentivo para mudanças de mentalidade.

Pode ser um clichê dizer que prestar atenção e proteger o meio ambiente é dever de todos nós. Mas é mesmo – especialmente se pensarmos com o que cada um pode contribuir. Aos criadores de negócios em tecnologia, cabe levar ideias adiante; aos governos, cabe adotar essas inovações; a todos, cabe cobrar e valorizar ações que mantenha vivo o nosso futuro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.

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