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De startup para startup: empresas se especializam em cuidar umas das outras

Letícia Piccolotto

14/09/2019 04h00

Hoje, são diversas empresas criando soluções para que outras colegas startups cuidem de sua administração, implementem planos de saúde, contratem novos empregados e outras facilidades. Crédito: Peoplecreations/Freepik

Henrique Dubugras, 23 anos, e Pedro Franceschi, 22, se conheceram ainda adolescentes e, anos depois, conquistaram vagas na famosa Universidade de Stanford– mas ficaram lá por menos de um ano. Saíram de lá para, em 2017, criar a Brex, uma fintech dedicada à implantação de cartões de crédito corporativos. A ideia era focar justamente em outras startups, ofertando serviços inovadores para essas organizações que, em sua essência, nasceram para transformar o mundo digital. 

A Brex evoluiu ano a ano e tornou-se uma das empresas que mais rapidamente atingiram uma avaliação multibilionária (se juntando a startups como Uber, Lime e Bird, unicórnios da mobilidade). Em 2017, a Brex era avaliada em US$ 25 milhões; em junho passado, depois de novos aportes e muitas conquistas, foi avaliada em nada menos que US$ 2,6 bilhões. 

Felizmente, a iniciativa de Henrique e Pedro vem se tornando cada vez mais frequente no setor de tecnologia. Hoje, são diversas empresas criando soluções para que outras colegas startups cuidem de sua administração, implementem planos de saúde, contratem novos empregados e outras facilidades.

Além da Brex, o mercado norte-americano está encantado com a Carta, por exemplo, que ajuda os empresários iniciantes a gerenciar seu patrimônio (e já está avaliada em US$ 1,7 bilhão). Existe também a Guideline, que pensou adiante e passou a fornecer sistemas e serviços de controle de aposentadorias para startups. E há ainda a InterPrime, especializada em ajudar startups a gerenciar seus investimentos financeiros e já são mais de 50 clientes no portfólio da empresa.

Conhecimento de causa

A verdade é que o sucesso de startups que oferecem serviços pensando em outras startups faz todo o sentido. Negócios disruptivos, iniciados por líderes jovens e que movimentam a economia de modos muito diferenciados demandam soluções distintas das que são oferecidas pelo mercado tradicional (seja no setor bancário ou de recursos humanos). Já quando analisam e passam a atender umas às outras, elas encontram facilmente caminhos seguros para seguir.

O próprio BrazilLAB, nossa organização que conecta startups ao poder público, entra nessa seara. O que nosso programa de aceleração faz anualmente é oferecer workshops, palestras, contatos e muito apoio individual e troca de experiências em comunidade para que as startups modelem seus negócios e os tornem mais aptos a levar soluções também aos governos e a melhorar a vida de cidadãos.

Com consultorias, aplicativos, plataformas, agências e outros tipos de serviços, as startups podem ficar certas de que existem muitas empresas com um propósito: apoiar suas ideias e negócios. E elas estão pensando praticamente em todas as linhas de atuação.

São casos como a Dialpad, que redesenha a comunicação para pequenos negócios, criando um sistema que pode funcionar a partir de vários dispositivos (e que faça a startup ser encontrada pelos potenciais clientes). A Sendgrid faz o mesmo, também nos Estados Unidos, com a área de email marketing (onde já conquistou clientes como Airbnb e Yelp).

A canadense Unito lançou uma plataforma de organização de tarefas para startups e outros pequenos negócios – impedindo que o trabalho diário fique perdido, bagunçado e que os clientes se aborreçam com demora ou erros. Um outro exemplo: a Back4App, criada no Vale do Silício e com uma unidade também em São José dos Campos (SP), se dedica a apoiar startups e desenvolvedores automatizando todo o backend necessário para a construção e hospedagem de aplicativos e softwares. 

O futuro é promissor para as organizações que se dedicam a apoiar o ecossistema de startups. À medida que a tecnologia continua evoluindo, descobrimos que fazer negócios se torna mais fácil e lucrativo. A chave é encontrar os parceiros certos que possam apoiar o crescimento e as metas de uma startup que quer chegar ao próximo nível e até além dele. Essas soluções podem ser expandidas e aplicadas pelos mercados mais tradicionais, resultando em melhorias para bens e serviços. 

É como resume o pessoal da brasileiríssima e celebrada Brex: "Não tem problema uma startup não ter sucesso porque o fundador mudou de ideia e alterou o rumo do negócio. Mas não é bom que elas falhem porque não pagaram suas contas. Todas devem manter sua reputação mesmo quando forem fazer novos negócios".

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.

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