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O mercado de trabalho está mais tech - e você precisa apostar nessa ideia

Letícia Piccolotto

07/09/2019 04h00

Não devemos mais ter aquela sensação de "vamos ser substituídos por robôs", como nossos pais e avós – e precisamos parar de negar a necessidade de abraçar novas ferramentas

Transformação digital, indústria 4.0, inteligência artificial, machine learning, disrupção, inovar, inovar, inovar… Muitos ainda estão se acostumando aos termos e tendências que chegaram no mercado de trabalho e dominaram o dia a dia de nossas carreiras e profissões. De fato, existe uma revolução acontecendo das 9h às 18h – a começar pelo fato de nem sequer existir mais o horário fixo de 9h às 18h! Mas é possível lidar – e inovar, sim – quando se fala em trabalho hoje. É possível (e necessário) ir além e descobrir novas fronteiras de aprendizado em qualquer setor.

Muito se fala, agora, sobre como diversos empregos e cargos existentes na atualidade estarão completamente extintos em alguns anos. Foi o que previu, por exemplo, um estudo dos economistas Michael Osborne e Carl Frey, da Universidade de Oxford.

A pesquisa analisou mais de 700 ocupações e como a chamada "computadorização" (a tecnologia, enfim) transformou os mercados. Um dos resultados avaliados sugeriu que 47% dos tipos de emprego nos Estados Unidos poderão ser totalmente eliminados até 2030.

Mas será que essas previsões e as mudanças iminentes devem ser encaradas como algo apocalíptico? Claro que não.

Um aprendizado que recebemos todos os anos trabalhando para conectar startups e a tecnologia ao poder público – o GovTech, que é a alma do BrazilLAB – é que o mundo não apenas está se transformando; ele está pedindo pelas mudanças e recompensando quem se lança a elas.

O que importa, de fato, é entender o que significa o fim desses antigos cargos – ou, até melhor, entender qual será o caminho para nós como profissionais, que não devemos ter aquela sensação de "vamos ser substituídos por robôs", como nossos pais e avós. Precisamos parar de negar a necessidade de abraçar novas ferramentas e atividades.

Mudanças digitais, transformações humanas

O próprio UOL acaba de tratar de um tema paralelo e interessante em uma ótima reportagem para o TAB. A matéria fala sobre os jovens de periferia (como na Grande São Paulo) que vêm se tornando empreendedores e provedores de suas família após criarem negócios em tecnologia. Identificando oportunidades e aprendendo sobre as novas formas de criar serviços, suas aplicações e ferramentas mudaram não apenas as próprias histórias, mas também a de suas famílias e de outros moradores da "quebrada".

O que esse movimento revela, na verdade, é que, mais do que aprender sobre programação e saber analisar dados, certas capacidades se tornaram mais do que bem-vindas para o novo mercado de trabalho. Elas têm a ver com adotar a tecnologia como um meio, mas de um modo humanizado. Na verdade, o que os profissionais de hoje precisam vai além de uma capacidade técnica.

Criar, flexibilizar, empreender – de dentro para fora

A criatividade é uma dessas habilidades procuradas por quaisquer empresas – valorizando o funcionário capaz de refletir e encontrar novas saídas, processos e ferramentas mais ágeis. É quase como se precisássemos, todos, pensar como designers, criando e implantando soluções diferentes para os desafios que surgem.

Nesse novo modo de agir, também é essencial ser flexível – alguém que é empático às "dores" da sociedade e que, portanto, poderá entender como resolver seus problemas ao criar novos serviços. Para isso, é vital ser aberto o suficiente para não se limitar a funções e tarefas, mas entender a economia compartilhada e seus desdobramentos. 

É onde entra também o intraempreendedorismo. Essa palavra, criada a partir do "intrapreneur", determina a pessoa que tem em si o espírito de pensar seu ramo de negócios, cruzar ideias vindas de outros setores e focar fortemente nos resultados. É uma característica decisiva nos dias atuais – e uma plataforma de salto para a inovação.

Empresas estão sempre à procura de diferenciais, de qualidades únicas, de colaboradores que olhem para dentro do escritório e também para fora dele em busca de oportunidades. Essa mentalidade, tão presente nas startups e no setor de tecnologia em geral, pode e deve se propagar como o futuro do mercado de trabalho. Assim, o receio de mudar será substituído pela vontade de produzir mais, melhor e de maneiras brilhantemente inovadoras.

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.