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Coreia do Sul investe bilhões na conectividade do 5G servindo ao cidadão

Letícia Piccolotto

03/08/2019 04h00

Espera-se que a conectividade 5G mude a vida como conhecemos para muito além dos laptops e celulares – porque ela permitirá que tudo o que ainda não estiver conectado passe a estar

Primeiro país do mundo a comercializar o 5G, Coreia do Sul foi o investir o equivalente a US$ 3 bilhões de dólares em duas cidades inteligentes. Ter uma conexão robusta e confiável é vital para que as cidades funcionem

Em fevereiro passado, durante um evento na cidade de Busan, o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, fez uma longa fala sobre como as cidades inteligentes irão melhorar a qualidade de vida da população aumentando da segurança à eficiência dos serviços incorporando tecnologias de ponta, incluindo inteligência artificial, internet das coisas e análise de big data. E um dos primeiros passos, frisou ele, vem da conexão.

Foi um cenário completo desenhado pelo governante sul-coreano. "Transporte, prevenção de acidentes, processos administrativos, serviços médicos e de cuidados infantis, que historicamente operaram de forma independente, serão conectados de forma mais orgânica e eficiente", disse Moon. "Com sistemas consolidados, informações de desastres – como aquelas relacionadas a terremotos e incêndios – serão enviadas por alertas, reduzindo o tempo de resposta dos bombeiros em cinco minutos, enquanto a taxa de criminalidade cairá 25% e acidentes veiculares serão reduzidos cerca de 50%".

Recentemente, a Coreia do Sul deu ainda mais sinais nesse sentido: o governo anunciou que vai investir o equivalente a US$ 3 bilhões de dólares em duas cidades inteligentes que serão construídas e, bem, "inauguradas" até o final de 2019 – com o objetivo de que os primeiros moradores sejam transferidos por volta de 2021.

Mas o líder coreano frisou por diversas vezes, em todas essas divulgações, o quanto ter uma conexão robusta e confiável é vital para que as cidades funcionem – em seu país e em toda parte. E isso se traduz em estabelecer o 5G como a tecnologia reinante.

A Coreia do Sul foi o primeiro país do mundo a comercializar o 5G – uma obsessão que tem total razão de existir. Esse tipo de conexão vai muito além de permitir o download de conteúdo em um ritmo mais rápido no seu smartphone.

Espera-se que a conectividade 5G mude a vida como conhecemos para muito além dos laptops e celulares porque ela permitirá que tudo o que ainda não estiver conectado passe a estar, de forma contínua e sem fio, incluindo carros, residências, empresas e, claro, os serviços públicos.

Os dados coletados em tempo real por meio de sensores serão usados ​​no controle de tráfego, especialmente durante as horas de maior movimento, aliviando congestionamentos e permitindo que os carros se "autogerenciem" (e forneçam, por exemplo, informações sobre vagas de estacionamento disponíveis).

Serviços como a geração de energia, iluminação pública e de água e esgoto serão controlados com maior precisão e eficiência. E a segurança será tecnologicamente reforçada, reduzindo custos sociais e incluindo assistência a desastres naturais, como controle de enchentes e envio de informações em tempo real aos agentes de saúde.

Singapura, Nova York, Estocolmo, Helsinque, Amsterdã: todas estão pensando fortemente em seu futuro como cidades conectadas. Londres, em um compasso menos ousado, acaba de confirmar que até 2020 suas linhas de metrô estarão conectadas com o 4G; os planos para o 5G existem na capital inglesa, mas dependem de investimentos em infraestrutura.

Enquanto isso, Seul e a Coreia como um todo miram no futuro ainda mais adiante. Nesse momento, em fase embrionária, os coreanos pesquisam sobre tecnologia 6G em conjunto com especialistas da Finlândia. Sim, isso mesmo. As duas nações querem se unir para definir novas aplicações para todo esse setor. Com o cidadão no centro das inovações, o caminho será certamente bem conectado. Falta termos um plano tão robusto também para o Brasil.

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.