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Entenda por que é hora de os governos apostarem na inteligência artificial

Letícia Piccolotto

06/07/2019 04h00

Prefeituras, estados e todo o país se beneficiam da inteligência artificial em diversas maneiras, como no aumento da eficiência de serviços públicos

Cada vez mais conhecida e comentada, a inteligência artificial, ou IA, é, em linhas gerais, um mecanismo ou um software que aprimora e automatiza determinada tarefa se baseando no conhecimento que ele recebe e processa. E o que antes era algo desenvolvido por cientistas de dados – ou que parecia possível apenas nos enredos de filmes hollywoodianos – se aproximou das pessoas e chegou aos mais diversos setores. Agora, precisa chegar aos cidadãos também – com os governos participando ativamente dessa história.

A inteligência artificial, diferente do que sonham os filmes, é segura e conduzida por humanos. Baseia-se em campos tão diferentes quanto a ciência da computação e o conhecimento cognitivo, a psicologia e a filosofia – e é capaz de ser alimentada com informações para entender problemas, selecionar questões importantes e mesmo oferecer soluções. Uma prefeitura, o poder estadual e um país todo se beneficiam desses mecanismos em diversas maneiras – no aumento da eficiência e da qualidade de serviços públicos, assim como para uma melhor alocação de recursos.

Vamos falar sobre segurança pública, por exemplo: em vez de simplesmente computar e arquivar registros criminais, o uso da IA permitiria às delegacias e departamentos de polícia analisar os dados colhidos e aumentar exponencialmente a previsibilidade dos crimes – levantando informações sobre local, dia e horário das atividades ilícitas. Nestes casos, seria possível deslocar agentes para o policiamento preventivo baseando-se em dados.

Nos Estados Unidos, cidades como Los Angeles e Nova York foram ainda mais longe no uso do recurso: ao classificar dados e reconhecer padrões mais rapidamente do que qualquer humano, ferramentas de inteligência artificial estão ajudando investigadores a reprimir o tráfico de pessoas, identificando as ações de criminosos e vítimas e até seguindo trilhas ilícitas de dinheiro online.

 Resultados e ações reais

O campo da saúde pública é outro onde a IA atua de modo brilhante (e onde deveria ser ainda mais adotada). Isso acontece em todas as fases do processo de atender um cidadão – começando pela triagem da população em um local de emergência, por exemplo, quando a inteligência artificial pode, com respostas simples do paciente, entender a gravidade do problema, indicar o procedimento e evitar, assim, filas e o agravamento de quadros clínicos.

Isso sem falar na detecção de doenças que aumentam entre a população (ou se mostram crônicas) e na avaliação de resultados – que podem indicar necessidade de prevenção e controle por região, faixa etária, etc.

O sistema público de saúde do Reino Unido – o NHS, reconhecido como um dos melhores do mundo – é amplo defensor da IA. Os britânicos, que já implantam atendimento virtual e mecanismos de análise de dados em diversos pontos do processo, dizem que essa inovação reduz custos e resolve tarefas simples que consumiriam muito tempo de funcionários humanos.

Com supervisão e regulamentações adequadas, mecanismos do tipo se tornam um ativo para o setor público, alcançando padrões de qualidade e a agilidade que países inteiros precisam. Nesse sentido, medidas têm sido tomadas para o desenvolvimento responsável e ético da IA, dentre elas a adoção, em maio de 2019, de documento elaborado pela OCDE contendo princípios e recomendações para o uso da tecnologia.

Um ponto merece destaque: a defesa de que a IA deve beneficiar as pessoas e o planeta em prol do desenvolvimento sustentável e do bem-estar, respeitando as legislações, os direitos humanos, os valores democráticos e a diversidade – permitindo também a intervenção humana, quando necessária. O documento defende, ainda, maior protagonismo do governo, que teria o papel de facilitar o investimento tecnológico e também apoiar o processo de transição para o uso de IA.

No Brasil, como contamos aqui mesmo em janeiro passado, as iniciativas de uso da inteligência artificial começam a surgir em alguns órgãos públicos. Mas ainda são tímidas. As possibilidades – se embasadas na legislação, na evolução estrutural e na assimilação cultural da modernidade – são geniais e bastante reais.

 

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.

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