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Letícia Piccolotto

Apagão tech: 160 mil vagas não serão preenchidas no Brasil em 2019

Letícia Piccolotto

20/04/2019 04h00

Se faltam especialistas em tecnologia para empresas privadas, faltam ainda mais aqueles que pensam em digitalizar os governos do Brasil – papel que acaba sendo absorvido pelas startups

Vamos ser justos: eu e você não saímos do celular. Eu, você e todo mundo. Seja para trabalhar, por lazer, compras, busca por respostas – nos acostumamos a contar com o poder da tecnologia para quase tudo. Hoje o brasileiro gasta em média 9 horas por dia conectado à internet. Somos o terceiro país do mundo em número de usuários do Facebook e segundo no Instagram. Entre os jovens de 18 a 35 anos, 85% usam a internet. O Brasil é, então, um dos países mais conectados do mundo.

Sendo assim, imagine o volume de dados que esse "trânsito" produz. Imagine a quantidade de informações nascendo e circulando, assim como a oportunidade do desenvolvimento de novos produtos e mercados. No entanto, para tudo isso acontecer precisaremos cada vez mais de profissionais que saibam lidar com tecnologia e a má notícia é que, infelizmente, temos um grande desafio nesse último quesito. Estudo recente que o BrazilLAB lançou sobre Transformação Digital no Brasil mostra que, ainda em 2019, teremos 160 mil vagas abertas na área de tecnologia sem profissionais capacitados para atender à demanda. Ou seja: 160 mil vagas que não serão preenchidas.

Falar de vagas não preenchidas em um momento onde o nível do desemprego no Brasil atinge mais de 13 milhões de brasileiros e a projeção do crescimento do PIB vem escorregando e sendo revisada praticamente toda semana é alarmante. Existe um grave descompasso entre a oferta e a demanda e esta questão precisa ser priorizada.

Falta gente, sobra prejuízo

No Brasil, a consultoria  PwC analisou que, se essa lacuna não for suprida, pode trazer prejuízo da ordem de mais de R$ 100 bilhões em receitas para a indústria até 2020. Existe um viés importante aí: a lei da oferta e da procura já faz com que profissionais melhor qualificados tenham remuneração altamente inflacionada.

E um outro ponto ainda mais crítico, talvez o pior de todos: se faltam especialistas em tecnologia para empresas privadas, o que dizer para o setor público onde o processo de contratação é mais moroso, salários são menos atraentes e o espaço para a inovação também mais limitado?

Esse papel, hoje, acaba sendo absorvido pelas startups, as chamadas GovTechs (pauta essencial que dá nome a este blog e defende que as soluções tech cheguem ao setor público).

O Brasil precisa urgentemente formar profissionais em tecnologia. Afinal, se a proporção de profissionais na área não crescer, a modernização do país será limitada e o próprio governo será afetado da mesma forma que a esfera privada.

Para aqueles que flertam com a área, a boa notícia é que o campo da tecnologia está em ascensão. Buscar a especialização em um ou mais setores, descobrir nichos de mercado e principalmente desenvolver competências variadas e valorizadas abre um mar de oportunidades nos dias de hoje. A tecnologia veio para ficar e temos que fazer bom uso da nossa super conectividade.

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.