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Atenção, startups brasileiras: é hora de pensar em ações globais

Letícia Piccolotto

30/03/2019 04h00

As necessidades do consumidor e do cidadão são semelhantes (se não as mesmas) em boa parte do globo: se um serviço tem sucesso em um país, ele tem de 80% a 90% de chance de ser adotado em outro. (Foto: Freepik)

Uma das realizações do último Fórum Econômico Mundial, em meados de 2018, foi a criação de uma lista das startups mais inovadoras do mundo. Ali, foram elencadas empresas pioneiras em seus ramos da tecnologia e que são vistas como transformadoras dentro dos mercados em que atuam. Startups brasileiras estavam nessa lista – o que é não apenas um orgulho, mas um indicador de que nós já podemos pensar maior, além das fronteiras.

A verdade é que a maioria das soluções desenvolvidas por startups brasileiras podem ser aplicadas em muitas outras partes do mundo. Ideias que vão desde o uso de inteligência artificial para controle de saúde até o monitoramento e zeladoria de cidades servem para São Paulo, Belo Horizonte, Recife assim como servem para Lisboa, Cidade do México ou Melbourne.

Essa é uma linha de pensamento importante para as startups que estão saindo do papel: é muito mais interessante desenvolver uma solução e nascer com uma estratégia global do que focar apenas no mercado interno brasileiro.

Entre as 61 empresas que estão nessa listagem do FEM, 28 são dos Estados Unidos, 8 de Israel, 5 do Reino Unido, 3 da Suíça – alguns dos países que mais fomentam e alavancam o setor de startups. O Brasil está representado com duas, Agrosmart e Plataforma Verde.

No BrazilLAB, hub de aceleração que prepara e modela startups para operar com o setor público, em prefeituras e órgãos de governo, a palavra de ordem é justamente olhar para soluções que sejam de fato novas, promissoras e que possam ser aplicadas e replicadas de um modo amplo, causando impacto social onde quer que sejam implantadas.

A própria Plataforma Verde foi uma das selecionadas para o programa de mentoria deste terceiro ano de atuação do BrazilLAB pelas grandes possibilidades que oferece (a qualquer município). O sistema colaborativo que a startup criou permite o rastreamento dos processos de produção, manuseio, reciclagem e descarte de resíduos – controlando melhor a disposição e o uso dos aterros sanitários e redução nos custos de coleta pública. Qualquer cidade brasileira poderia se valer de um sistema inteligente como esse. Ou melhor: qualquer cidade, ponto final.

Ideias para o planeta usar

As necessidades do consumidor e do cidadão são muito semelhantes (se não as mesmas) em boa parte do globo – estudos em marketing e experiência do usuário indicam que, se um serviço tem sucesso em um país, ele tem de 80% a 90% de chance de ser adotado em outro.

Expandir a ideia de uma startup para o mercado global não é algo isento de desafios, claro, mas muitas vezes eles são menos intimidantes do que parecem. Se as empresas em crescimento concentrarem seus esforços em entender as adaptações, a expansão internacional pode ajudá-las a superar obstáculos e atingir ainda mais sucesso. Além disso, a partir do momento que uma startup começa a competir no mercado internacional, passa a ter ganhos de produtividade e escala, além de acesso a novas tecnologias.

Quando olhamos para as 31 startups selecionadas este ano pelo programa de aceleração do BrazilLAB, percebemos que muitas delas podem ser implementadas em diferentes lugares – não importa a distância. São serviços que usam mineração de dados para identificar incongruências e fraudes em sistemas de folha de pagamento, aplicativos que monitoram, otimizam e cortam custos na saúde, games que levam a educação a outro patamar para as mentes tecnológicas dos jovens de hoje.

A vencedora do programa 2019, por exemplo, foi a GESUAS, plataforma que faz a integração de programas de assistência social e contribui para a gestão eficiente de programas de transferência de renda. Esse olhar para as famílias carentes e o controle de suas necessidades e atendimentos por um sistema unificado poderia ser replicado em qualquer metrópole do globo, especialmente em países emergentes como a Índia. Um pensamento grande demais? Pois é assim mesmo que as coisas começam a mudar – e dá o mesmo trabalho sonhar grande ou sonhar pequeno. Fica a dica.

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.

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