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Startups são o futuro da educação inovadora? França aposta bilhões nisso

Letícia Piccolotto

16/03/2019 04h00

Não são os computadores, apenas, que farão das escolas os centros de conhecimento das próximas décadas – mas a união de tecnologia, compreensão dos problemas, uso de dados e disponibilidade das ferramentas (Foto: Lucélia Ribeiro/Flickr)

A França tem uma longa tradição de excelência em educação e pesquisa. Podemos basear essa ideia não só em percepção, sabendo que se trata de um país onde a cultura é tão celebrada, mas também no fato de os franceses serem a quarta nacionalidade que mais recebeu prêmios Nobel ou por serem o terceiro país mais vencedor de Medalhas Fields (um reconhecimento internacional sobre desenvolvimento em matemática).

Muitas organizações de pesquisa do país figuram nos primeiros lugares em seus setores e 18 universidades francesas estão entre as 100 mais importantes da Europa. Sabe o que o governo da França acaba de fazer com tudo isso? Ir ainda mais longe, criando medidas para promover a inovação e garantir que o país não se acomode, mas que pense maior.

Um relatório recente do Ministério da Educação da França mostra que o orçamento do país para pesquisa aumentou 8% entre 2017 e 2019. Ao mesmo tempo, 4,6 bilhões de euros do Plano Nacional de Investimentos (2018-2020) estão comprometidos com a inovação na área. Em 1º de fevereiro de 2019, o primeiro-ministro Édouard Philippe anunciou que a França colocará sua trajetória de educação e pesquisa "em bases mais ambiciosas".

Esse é um ótimo exemplo para o Brasil seguir. Ainda que nosso caminho na educação esteja em estágios bem mais iniciais, muitas startups por aqui já estão criando os novos passos do setor. É uma questão de abrir as portas das salas de aula para elas.

Tecnologia com sabedoria

A inovação real, quando falamos em educação, não é algo para ficar restrito apenas às faculdades, cursos de mestrado, doutorado. Muito pelo contrário: o processo começa no ensino mais fundamental – com a tecnologia auxiliando crianças e professores a criar e desenvolver incontáveis habilidades.

Dispositivos eletrônicos estão e estarão cada vez mais nas mãos de estudantes. Mas não são os aparelhos, por si só, que farão das escolas os centros de conhecimento das próximas décadas; será a união de tecnologia, compreensão dos problemas, uso de dados e disponibilidade das ferramentas.

As novas gerações estão cada vez mais adaptadas e interessadas em celulares e tecnologia em geral – mas a nova realidade levou vários desafios para dentro das escolas, complicando as ações em colégios de modelo mais tradicional, desafiando professores a abraçar novos papéis e expondo como nunca a infraestrutura das escolas públicas.

Redesenhar todo esse cenário, do currículo principal às novas funções de materiais didáticos, é uma tarefa que muitas startups decidiram tomar para si há alguns anos. No Brasil, as chamadas EdTechs surgem com um olhar já ligado em inovação – e, aqui, podemos tomar como exemplo quatro parceiras recentes do BrazilLAB, nosso hub que seleciona justamente empresas promissoras de tecnologia que criam e podem levar soluções até o poder público (e a alunos de toda parte do país).

A Botnicks, por exemplo, é uma plataforma que trabalha os chatbots – e que permite às escolas, por exemplo, usar esse recurso para atendimento aos alunos (que podem receber suas tarefas à distância e evitar perda de conhecimento ou atrasos nas entregas). A FazGame, por sua vez, inventou um software para criação de games educacionais; nele, crianças e jovens, mesmo sem entendimento profundo em programação, desenvolvem jogos de muitas modalidades, um grande incentivo para aplicação de conhecimento.

A Kriativar (que já oferece sua solução a diversas escolas em Minas Gerais), possui uma plataforma digital que estimula a criação e cocriação de conteúdo e fomenta o aprendizado – permitindo às crianças escrever textos, publicar desenhos e compartilhar livros. Por último, podemos citar a Mundo4D, startup dedicada à implantação da Educação 4.0 por meio de produtos como sistema de ensino de tecnologia.

São materiais para aluno e professor, robôs para diversas faixas etárias, cursos online e demais ativos que focam em tecnologia – mas sem desprender atenção das novas metodologias de ensino, do envolvimento dos estudantes, da necessidade dar mais poderes ao professor. Com ideias assim, bem aplicadas, a educação tem muitas páginas emocionantes e valorosas para preencher nos próximos anos.

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.

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