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Gestão de pessoas high-tech: startups vão mudar o RH como conhecemos hoje

Letícia Piccolotto

2013-04-20T19:04:00

13/04/2019 04h00

As HRtechs captaram, nos últimos anos, cerca de 8 bilhões de dólares em todo o mundo – e, apenas no Brasil, são mais de 120 empresas já dedicadas a aplicar tecnologia no setor de RH

Anote aí: recrutamento e seleção, desenvolvimento de lideranças, gestão e auditoria de folha de pagamento, controle de ponto, gerenciamento de horas extras, processos de assessment e avaliação de desempenho são alguns dos desafios do setor de Recursos Humanos nos quais as startups estão aplicando tecnologias – e otimizando a rotina de tantas empresas.

As HRTechs, como são conhecidas essas startups, tem atraído muito os empreendedores e investidores globalmente. Segundo a consultoria CB Insights, elas já captaram, nos últimos sete anos, cerca de 8 bilhões de dólares – a maior parte dos recursos levantada por empresas nos Estados Unidos, 62%.

No Brasil, são mais de 120 empresas já dedicadas a aplicar tecnologia para a área de gestão de pessoas. O objetivo é levar agilidade aos processos, integrar atividades, tornar os procedimentos mais assertivos, criar indicadores de desempenho confiáveis promovendo a transparência, economia de recursos e contenção de fraudes.

Um exemplo interessante é a Guppy, startup que usa inteligência artificial e deep learning para buscar padrões e ao mesmo tempo personificar e automatizar o processo de recrutamento de grandes empresas garantindo contratações mais assertivas e diminuindo os índices de rotatividade.

Hoje, lidar com gestão de pessoas já se mostra algo desafiador na área privada. Pense, então, em lidar com tecnologia aplicada à área de recursos humanos no setor público. Parece algo impossível? A boa notícia é que não.

Soluções de HR Tech para o setor público

O número total de servidores no Brasil, nas três esferas de governo, aumentou 60% nas últimas duas décadas – passando de 7,5 milhões em 1995 para os 12 milhões atuais segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Esse número representa 44 funcionários públicos para cada mil habitantes. E um gasto de quase 12% do nosso Produto Interno Bruto (PIB).

Para efeito de comparação, os membros da OECD, que estão entre as grandes referências de países desenvolvidos, têm entre 14 e 22 funcionários públicos em cada mil habitantes.

Infelizmente, o tamanho do nosso governo não está necessariamente trazendo melhor saúde, educação e segurança para a população. Alguns dos problemas da área de gestão de pessoas no setor público: tempo exacerbado gasto em atividades operacionais, em detrimento de ações estratégicas; distância física do RH; falta de integração entre agências; falta de efetividade para processos de seleção, mapeamento de competências e desenvolvimento profissional; baixa priorização dos assuntos relacionados à gestão de pessoas na alta administração.

Além desses desafios, existe a necessidade de engajar os funcionários públicos para a adoção e promoção de práticas inovadoras. Para reverter a tendência, é preciso promover uma gestão de pessoas alinhada à estratégia de longo prazo de desenvolvimento do nosso país.

Pensando nisso, esse ano o BrazilLAB, em seu programa de aceleração, abriu uma vertical 100% dedicada a mapear tecnologias de RH que poderiam ser aplicadas ao setor público brasileiro. Tivemos mais de 650 startups inscritas e 20% com soluções na área de recursos humanos – um índice que mostra a força dessa revolução.

Um caso, em especial, mostra a vantagem de aplicar tecnologia na gestão de pessoas. A Fábrica de Negócio é uma startup de Recife, acelerada pelo BrazilLAB, e criadora da ferramenta Payroll Audit, solução de mineração de dados que usa inteligência artificial para realizar auditoria em folhas de pagamento (de órgãos públicos, por exemplo). Contratada pela prefeitura da capital pernambucana no ano passado, a startup foi capaz de localizar, em uma varredura, mais de 300 pessoas já falecidas ainda recebendo salários. Estima-se que, a partir desse levantamento, o município poderá ter uma economia de mais de R$ 2 milhões de reais.

Com o apoio de chatbots, plataformas de recrutamento, sistemas de troca de mensagens, big data e tantas outras tecnologias, o setor de recursos humanos vem eliminando obstáculos e se transformando profundamente. A automação e a gestão estratégica baseada em dados é uma forte tendência – e nenhum funcionário vai passar ileso à onda das HRTechs. Foi-se o tempo da fila para bater ponto.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Letícia Piccolotto é mestre em Ciências Sociais, especialista em Gestão Pública pela Harvard Kennedy School e fundadora do BrazilLAB, a única plataforma brasileira que conecta startups e governos para estimular a inovação no setor público.

Sobre o blog

Acelerar ideias e estimular uma cultura voltada para a inovação do setor público. Este é um blog para falar de empreendedores engajados em buscar soluções para os desafios mais complexos vividos pela sociedade brasileira.